Hoje: 23 de Jan de 2018

Sertão da PB pode ter chuva de granizo, diz Inmet

É difícil de acreditar, mas nesta semana caiu granizo no Ceará. O nome do município se chama Parambu e fica no Sertão dos Inhamuns. Esse fenômeno que ocorreu no sudoeste do Estado é bem raro, mas pode se repetir neste fim de semana no Nordeste do país, incluindo o Sertão da Paraíba.

De acordo com a meteorologista consultora do Inmet, Ingrid Peixoto, o que aconteceu em Parambu foi um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN), que é um sistema de baixa pressão atmosférica em níveis altos, que estimula a formação de nuvens carregadas. Segundo ela, estas nuvens podem vir acompanhadas de raios, descargas elétricas e até mesmo granizo.

“O forte calor da região, associado a alta umidade disponível na atmosfera, potencializou o desenvolvimento da nuvem Cumulonimbus, caracterizada pelo seu grande desenvolvimento vertical. Estas nuvens produzem grande volume de chuvas, de forte intensidade e curta duração. Podem vir acompanhadas de raios, descargas elétricas e até mesmo a possibilidade de queda de granizo como o ocorrido no sudoeste do Estado do Ceará”, disse Ingrid.

Segundo a meteorologista, ainda neste fim de semana, além do Sertão da Paraíba, há possibilidade de queda de granizo no Ceará e no Rio Grande do Norte.

“Esta é a pré-estação chuvosa da região do Semiárido nordestino e a tendência é que as chuvas continuem com grandes volumes e até mesmo com esta possibilidade de queda de granizo, principalmente no sábado (23) e no domingo (24) sobre as áreas do Ceará, Rio Grande do Norte e no Sertão da Paraíba. Na segunda-feira (25), dia de Natal, as chuvas tendem a diminuir por toda a região”, detalhou a meteorologista.

A temperatura para este fim de semana na região Nordeste do país vai variar de 16ºC a 37ºC.

Explicação do fenômeno

A presença de uma nuvem cúmulo-nimbo gerou o fenômeno, de acordo com o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Raul Fritz. Essa nuvem, segundo Fritz, pode ultrapassar os 10 quilômetros de altura, da base ao topo. "Lá em cima é muito frio e cria-se o cristal de gelo. Em muitas ocasiões surgem pedras de gelo e, com as chuvas, acabam caindo junto com a água", explica.

O meteorologista ressalta que tanto as chuvas e o granizo foram influenciados também pela presença de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, sistema de baixa pressão atmosférica e circulação horária a aproximadamente 12 km de altura, sobre o Nordeste do Brasil.