Hoje: 25 de Nov de 2017

Marcelo Odebrecht e mais 50 funcionários do grupo fecham delação premiada

Após oito meses de negociação, o empresário Marcelo Odebrecht e outros 50 executivos e funcionários do grupo Odebrecht fecharam acordo de delação premiada com os procuradores da Operação Lava Jato, segundo o jornal O Globo. Esta será a maior série de acordos de delação já fechada no Brasil.

“Não vai ser o fim do mundo, mas são informações suficientes para colocar o sistema político em xeque”, afirma uma das pessoas que participaram da negociação ouvida pela reportagem. Conforme essa fonte, não havia distinção partidária ou ideológica entre os beneficiários do caixa dois da Odebrecht e a delação vai atingir os principais líderes de partidos governistas e da oposição. Os delatores devem falar também sobre as ações do grupo em gestões anteriores à do PT, como a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

De acordo com o Globo, na fase preliminar das negociações, Marcelo e outros executivos citaram pelo menos 130 deputados, senadores e ministros e 20 governadores e ex-governadores como beneficiários do esquema de caixa dois da empreiteira. Entre eles, o presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), José Serra (Relações Exteriores) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Os ex-ministros petistas Antonio Palocci e Guido Mantega também foram mencionados, assim como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na última quarta-feira.

Marcelo Odebrecht, que está preso desde julho de 2015, resistiu o quanto pôde a fazer delação e só mudou de ideia após a intervenção de seu pai, Emílio Odebrecht, que o convenceu a colaborar com as investigações na tentativa de tirar o grupo da maior crise de sua história.

O empreiteiro foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro e ainda responde a outros inquéritos e processos na Lava Jato por fraudes em contratos com a Petrobras e outros órgãos do governo federal.

Os depoimentos dos colaboradores, segundo o Globo, serão complementados com informações do chamado departamento da propina da Odebrecht, confrontando e-mails e outros registros de conversas entre os operadores do esquema. De acordo com o repórter Jailton de Carvalho, os acordos foram fechados há mais de duas semanas e deverão ser assinados ao fim dos depoimentos, que devem ser concluídos entre o fim deste ano e o início de 2017.

Congresso em Foco

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