Hoje: 19 de Nov de 2017

Berrío e a tragédia da Chape vista por outro ângulo: "Somente nos olhamos e não podíamos crer"

Na Colômbia, era noite; no Brasil, madrugada. No mundo todo, choque e comoção. No dia 29 de novembro de 2016, o avião que transportava a delegação da Chapecoense que disputaria a final da Copa Sul-Americana com o Atlético Nacional, em Medellín, colidiu com o topo de uma montanha na região de Cerro Gordo, no distrito de Antioquia. Enquanto policiais mais próximos ao local da tragédia enfrentavam a escuridão e o frio para abrir caminho pela mata e retirar sobreviventes, Berrío olhava para sua esposa sem acreditar na notícia que o cunhado trazia, quando já se preparava para dormir em sua casa. Agora, o jogador assistirá ao duelo que teria pela frente no ano passado pela televisão. Atlético Nacional e Chapecoense começam a decidir outra taça, a Recopa, nesta terça-feira, às 19h15 (de Brasília) em Chapecó.

O atacante - agora rubro-negro - já conhecia os nomes dos jogadores da Chape, a forma como atuavam, seus hábitos dentro de campo, tudo o que foi passado na preparação para a partida. E se dava conta de que todos eles não estariam mais no gramado. Ficou sem palavras. Da manhã seguinte, reunido com os companheiros e comissão técnica do Atlético Nacional, tem uma dolorosa lembrança: o silêncio.

- Ninguém era capaz de dizer nada, simplesmente nos limitamos a escutar as notícias, nos olhávamos, nos reunimos com a comissão técnica, nos disseram o que se passou e, na verdade, não acreditávamos. A sensação era essa.